Por Natalie Peach.
Em média, a actual população mundial vive com mais conforto material, menos doenças, maior igualdade e muito mais oportunidades do que as pessoas que viveram em qualquer outra época da história. Apesar disso, a Organização Mundial de Saúde estima que, em 2030, a depressão será a doença mais comum e debilitante do mundo – tanto nos países ricos como nos países pobres.
A julgar pelas vendas de grandes quantidades de livros de autoajuda sobre como alcançar a felicidade na vida, diríamos que esta questão parece ser bastante importante para muitas pessoas. Parece que muitos reconhecem que a verdadeira felicidade ainda está longe, apesar de terem conforto financeiro, um bom emprego e uma vida social activa.
Não precisamos de nos esforçar muito para perceber a enorme quantidade de mensagens com que somos bombardeados diariamente sobre o que precisamos para viver felizes. O mundo da publicidade faz-nos acreditar que a felicidade está à distância de uma compra – roupa da moda, carros velozes, boa aparência, estatuto social. Isto faz parte de um modo de viver numa sociedade, guiado por objectivos e resultados, na qual a felicidade é algo que pode ser procurado e adquirido – se não através de bens materiais, então de inúmeras outras formas.
Quinze minutos no Facebook podem levar-nos a acreditar que as pessoas mais felizes são aquelas que têm inúmeros amigos, que vivem grandes aventuras no estrangeiro e que têm empregos incríveis. Focarmo-nos nas coisas que os outros têm e que nós não temos pode facilmente levar-nos a acreditar que a nossa felicidade depende da nossa vida ser exatamente como a idealizámos.
É interessante observar o que as Escrituras Bahá’ís têm a dizer sobre o assunto. ‘Abdu’l-Bahá fala sobre dois tipos de felicidade:
A felicidade tem duas formas: física e espiritual. A felicidade física é limitada; a sua duração máxima é de um dia, um mês, um ano. Ela não tem efeito duradouro. A felicidade espiritual é eterna e insondável. Esta felicidade surge na alma com o amor de Deus e permite à pessoa alcançar as virtudes e as perfeições do mundo da humanidade. Por isso, esforçai-vos ao máximo para iluminar a lâmpada do vosso coração com a luz do amor.
Esta citação vai directa ao assunto, diagnosticando a falha fundamental na nossa compreensão da felicidade que deixa tantas pessoas frustradas e perdidas: a verdadeira felicidade é uma atitude que cultivamos, e não algo que possuímos. Trata-se de um estado de ser, e não de ter.
Para compreendermos o que nos traz verdadeira felicidade, precisamos de compreender a nossa verdadeira natureza enquanto seres humanos. O facto de tantas pessoas terem dificuldade em descobrir o que exatamente as faz felizes significa que ainda não compreendemos quem realmente somos. Como podemos fazer isso? O que podemos fazer para aprofundar a nossa compreensão da nossa própria natureza?
1º Passo: Serviço aos Outros
Uma das citações mais fascinantes que li em resposta a isto é de Shoghi Effendi, que diz que a chave para nos conhecermos é, curiosamente, deixar de nos concentrarmos em nós próprios!
Quanto mais nos procuramos a nós próprios, menos provável é que nos encontremos; e quanto mais procurarmos a Deus e servirmos o nosso próximo, mais profundamente nos conheceremos e mais seguros de nós mesmos estaremos. Esta é uma das grandes leis espirituais da vida. (de uma carta escrita em nome do Guardião a um crente individual, 08 de Fevereiro de 1954)
Esta grande lei espiritual de que fala o Guardião – conhecermo-nos a nós mesmos através da busca de Deus e do serviço ao próximo – é algo que a nossa sociedade ainda não compreendeu plenamente. Parece contraintuitivo que, para nos conhecermos melhor, devamos desviar a nossa atenção de nós próprios e dirigi-la para os outros.
Mas imagine como seria a nossa sociedade se a maioria das pessoas começasse a adoptar esta abordagem da vida. Em vez de nos questionarmos constantemente sobre o que mais precisamos nas nossas vidas para aumentar a nossa felicidade e nos sentirmos sobrecarregados pela quantidade de coisas que ainda não temos, as nossas mentes seriam direcionadas para considerar o que já possuímos – as nossas capacidades, os nossos recursos, o nosso tempo – que podemos utilizar para contribuir para a felicidade dos outros.
E imagine como seria a nossa sociedade se a maioria das pessoas começasse a adoptar esta abordagem da vida. Em vez de nos questionarmos constantemente sobre o que precisamos nas nossas vidas para aumentar a nossa felicidade e nos sentirmos sobrecarregados pela quantidade de coisas que ainda não temos, as nossas mentes seriam direccionadas para considerar o que já possuímos – as nossas capacidades, os nossos recursos, o nosso tempo – que podemos utilizar para contribuir para a felicidade dos outros.
É através dos nossos esforços colectivos para servir os outros que nos familiarizamos mais profundamente com os dons e talentos, que possuímos e recebemos inúmeras oportunidades para desenvolver as nossas capacidades e o nosso carácter!
2º Passo: Foco na Aquisição de Virtudes
Como nos diz ‘Abdu’l-Bahá na citação anterior, a verdadeira felicidade anda de mãos dadas com a conquista das “virtudes e perfeições do mundo da humanidade”. Este é mais um princípio que pode não vir à mente da maioria das pessoas quando pensam em como aumentar a sua felicidade.
As mais recentes descobertas da psicologia mostram que as pessoas mais felizes são aquelas que identificaram e desenvolveram as suas próprias forças e virtudes, utilizando-as para fins que transcendem os seus objectivos pessoais. Ao esforçarmo-nos por cultivar as nossas virtudes, fortalecemos os nossos recursos espirituais e psicológicos, tornando-nos mais bem preparados para enfrentar os desafios e as dificuldades da vida sem sermos profundamente afectados por elas.
A chave para a felicidade – a verdadeira felicidade – parece ser um esforço constante: esforço no nosso caminho de serviço, esforço no desenvolvimento do nosso carácter e esforço em desprendermo-nos do ego e reconhecermos a nossa verdadeira natureza espiritual.
Ao reconhecermos que a felicidade física e a felicidade espiritual são dois estados de existência distintos, e ao compreendermos que é somente a felicidade espiritual – e não a física – que perdura e é, em última análise, aquilo que devemos procurar, somos capazes de realinhar os nossos esforços e energias.
Procurar a felicidade como único objectivo das nossas vidas só pode ser uma receita para a frustração e a decepção – encontraremos sempre, em algum momento, alguma coisa que falta nas nossas vidas. Ao procurarmos a felicidade espiritual e concentrarmos os nossos esforços em servir os outros em crescer espiritualmente, os nossos olhos abrir-se-ão para as inúmeras bênçãos das nossas vidas.
O que pensa sobre encontrar a “verdadeira felicidade”? Partilhe as suas ideias nos comentários.
------------------------------------------------------------
Texto original: The Elusive Quest for True Happiness (www.bahaiblog.net)


